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Adrian era um sujeito de meia idade. Gostava de ler, escrever, filosofar. Mas ao mesmo tempo em que se interessava por isso, também sentia uma sensação estranha de vez em quando. Uma delas foi quando estava se lembrando de umas amizades que havia feito na internet. Aquela que sempre esteve lá, eram muito amigos, trocavam confidências, idéias e aflições e de repente sumiu, sem deixar aviso. Teria morrido? Casado? Ou simplesmente teria ficado sem internet? Começou a sentir uma tristeza profunda ou medo de ficar assim, ao lembrar-se de tantas coisas por que passou e que talvez tenha sido pela última vez.

Aquela viagem a Campos do Jordão; aquele passeio à montanha, de onde vislumbrou o lado de lá do mundo; ou aquele amigo de infância que, depois de mudado de cidade e de estado, ainda o procurou por duas oportunidades, mas de lá para cá também não deixou mais notícias.
Sentado em sua poltrona, pôs-se a pensar em outros casos e foi sentindo aquilo que temia: o medo do “nunca mais”. Talvez nunca mais voltasse a ver suas filhas, talvez nunca mais velejasse como fizera há anos e que tanto prazer lhe concedeu; quem sabe tenha sido a última vez que cavalgou por estradas de terra, sentindo o cheiro do mato, do gado.
Levantou-se, foi à cozinha preparar um café. Sua mente com esses pensamentos ruins o acompanhava, embora tenha tentado deixá-la lá junto à poltrona, para quando voltasse, pudesse entrar num acordo com ela. Um acordo bom para os dois lados. Que não o levasse à loucura se considerasse o “nunca mais” como um problema sem solução. |
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