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	<title>CONTOS DA VIDA HUMANA</title>
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	<description>::: fatos hipotéticos da vida real :::</description>
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		<title>CONTOS DA VIDA HUMANA</title>
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		<title>Nunca mais</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 18:24:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
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Adrian era um sujeito de meia idade. Gostava de ler, escrever, filosofar. Mas ao mesmo tempo em que se interessava por isso, também sentia uma sensação estranha de vez em quando. Uma delas foi quando estava se lembrando de umas amizades que havia feito na internet. Aquela que sempre esteve lá, eram muito amigos, trocavam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=48&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
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<tr>
<td valign="top">
<table border="0" width="420">
<tbody>
<tr>
<td valign="top">
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Verdana;color:#800000;">Adrian era um sujeito de meia idade. Gostava de ler, escrever, filosofar. Mas ao mesmo tempo em que se interessava por isso, também sentia uma sensação estranha de vez em quando. Uma delas foi quando estava se lembrando de umas amizades que havia feito na internet. Aquela que sempre esteve lá, eram muito amigos, trocavam confidências, idéias e aflições e de repente sumiu, sem deixar aviso. Teria morrido? Casado? Ou simplesmente teria ficado sem internet? Começou a sentir uma tristeza profunda ou medo de ficar assim, ao lembrar-se de tantas coisas por que passou e que talvez tenha sido pela última vez.<br />
<a href="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2008/10/nuncamais2estilo.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-47" style="margin:20px;" title="nuncamais2estilo" src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2008/10/nuncamais2estilo.jpg?w=200&#038;h=137" alt="" width="200" height="137" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Verdana;color:#800000;">Aquela viagem a Campos do Jordão; aquele passeio à montanha, de onde vislumbrou o lado de lá do mundo; ou aquele amigo de infância que, depois de mudado de cidade e de estado, ainda o procurou por duas oportunidades, mas de lá para cá também não deixou mais notícias.<br />
Sentado em sua poltrona, pôs-se a pensar em outros casos e foi sentindo aquilo que temia: o medo do “nunca mais”. Talvez nunca mais voltasse a ver suas filhas, talvez nunca mais velejasse como fizera há anos e que tanto prazer lhe concedeu; quem sabe tenha sido a última vez que cavalgou por estradas de terra, sentindo o cheiro do mato, do gado.<br />
Levantou-se, foi à cozinha preparar um café. Sua mente com esses pensamentos ruins o acompanhava, embora tenha tentado deixá-la lá junto à poltrona, para quando voltasse, pudesse entrar num acordo com ela. Um acordo bom para os dois lados. Que não o levasse à loucura se considerasse o “nunca mais” como um problema sem solução.</span></td>
<td valign="top"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
<td valign="top"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;color:#606060;"><br />
</span></strong></p>
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		<title>O dançarino</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jan 2008 13:16:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Life]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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Eurico era o nome dele.
Síndico de um prédio de pouco movimento, porteiro também, nada fazia a não ser ficar olhando as pessoas passando pela rua. O rádio sempre ligado, ouvindo músicas dançantes e enquanto isso, seus pés acompanhavam o ritmo. Balançava-os para os lados, pareciam que queriam dançar sozinhos. Mas era mais ou menos isso. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=39&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><table align="center" bgcolor="#ebe5d3" border="1" width="470">
<tr>
<td align="justify" valign="top">
<table align="justify" border="0" width="420">
<tr>
<td valign="top"><font color="#800000" face="Verdana" size="-1"><br />
Eurico era o nome dele.<br />
Síndico de um prédio de pouco movimento, porteiro também, nada fazia a não ser ficar olhando as pessoas passando pela rua. O rádio sempre ligado, ouvindo músicas dançantes e enquanto isso, seus pés acompanhavam o ritmo. Balançava-os para os lados, pareciam que queriam dançar sozinhos. Mas era mais ou menos isso. Eurico tinha o desejo de dançar, dançar em um salão, dançar o que fosse. Um bolero, uma valsa, mais exatamente esses dois. Estava lendo um livro que ensinava dança de salão. Como não tinha tempo para ir a um curso, nem dinheiro sobrando para esse tipo de despesa, resolveu emprestar um livro da biblioteca e toda noite ensaiava em seu quarto de pensão, aqueles passos desenhados nas páginas. Ligava o rádio, uma estação que já conhecia bem, só tocava esse tipo de música e, abraçando uma almofada contra o peito como se fosse uma dama, ficava rodando no estreito espaço central de seu quarto. Já estava nesse ensaio fazia dois meses. Ainda não havia adquirido confiança suficiente para enfrentar um salão. Além de tudo era tímido, apesar de não parecer. Tinha também receio de vacilar e acabar pisando nos pés de alguma mulher que convidasse pela primeira vez. Então ensaiava e ensaiava. Para fixar bem a hora dos passos, falava em voz alta: um&#8230; dois&#8230;um dois três&#8230;.um&#8230; dois&#8230;um dois três. A cada dia ficava mais firme nos movimentos. Até que numa quarta-feira resolveu que era chegada a hora de fazer sua primeira aparição em um salão. Toda sexta-feira havia baile em um clube um tanto afastado do centro da cidade. Como não tinha costume de ir a festas ou outro tipo de reunião a não ser o do condomínio, não tinha também terno algum para esse evento. No dia seguinte foi até uma dessas lojas de aluguel de roupas finas, e experimentou vários ternos. Foi difícil encontrar um, pois seu corpo não era lá muito convencional.</font><img src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2008/01/dancarino02a.jpg" alt="dancarino02a.jpg" align="right" border="2" hspace="20" vspace="20" /><font color="#800000" face="Verdana" size="-1"> Eurico tinha 45 anos, era baixo, atarracado, quase não possuía pescoço, os braços grossos e as pernas finas. Depois de vários experimentos, encontrou um que servia razoavelmente. Como não ficou nenhuma maravilha, o dono da loja resolveu fazer um belo desconto para que ele levasse aquele mesmo. Chegando em seu quarto, colocou-o no cabide, dentro de seu pequeno guarda-roupa. Estava tudo ok. No dia seguinte à noite estaria se dirigindo ao clube devidamente vestido. À noite mal conseguiu dormir. Eurico sonhava com mulheres sentadas, e ele em pé do outro lado do salão, esforçando-se para encontrar uma com quem ele se sentisse à vontade para dançar. Depois de se levantar várias vezes e tomar um leite quente, um chá, acabou pegando no sono. Seu dia de trabalho parecia se arrastar. Estava louco de desejo de entrar naquele salão vestindo seu terno verde com listas em marrom. Já havia lustrado seu sapato marrom, que combinaria com as listas e a gravata num verde mais escuro que o terno, contrastaria bem com a camisa num tom alaranjado, caindo quase para o rosa, a única que possuía, com mangas compridas. Enquanto o tempo não passava como queria, ia acompanhando seu radinho, os pés dançando sozinhos enquanto marcava o tempo em voz baixa: um&#8230;dois&#8230;.um dois três&#8230;<br />
Chegou ao fim, seu expediente. Seis da tarde, passou as chaves para o seu substituto que entrou a partir desse horário. A caminho da pensão, dirigindo seu pequeno carro, ia movimentando os pés, nessa hora com um pouco mais de cuidado para não fazer nenhuma besteira no trânsito. Chegando lá, foi direto ao banheiro, tomar seu banho, fazer a barba, escovar os dentes, aparar seu encorpado bigode. Aparava também as sobrancelhas e pêlos que cresciam em suas orelhas. Estava tudo bem. Enquanto tomava sua sopa, o rádio tocava um desses boleros bem tradicionais, e entre uma colherada e outra, marcava o compasso: um&#8230;dois&#8230;.um dois três.<br />
Uma hora para o baile. Já estava devidamente vestido, penteado e perfumado. Pegou seu carro em frente à pensão e foi, bastante animado e encorajado. Havia treinado demais. Não tinha o que errar. Afinal, sempre tocam esses boleros famosos e ele já conhecia de cor até mesmo a letra, em castelhano.<br />
Estacionou o carro no pátio do clube e logo localizou a fila que se formava para adquirir o ingresso. Colocou-se ao fim da fila, que já contava com uns 20 casais. Algumas mulheres estavam sós. Dessas, Eurico não tirava os olhos. Queria prever com qual delas tentaria a sorte. Uma logo à frente não parava de dançar, mesmo sem música. Parecia ter muita prática. Precisava localizar uma que fosse como ele, pouca experiência. Ai não perceberia que ele era um iniciante. Ouviu uns passos, olhou para trás e chegavam duas mulheres juntas e um homem. Ele estaria com qual das duas? passavam uns segundos e Eurico olhava para trás, discretamente e as duas o fitavam e sorriam. Sentiu que não seria difícil dançar com uma delas. Novo olhar e nova troca de sorrisos. Eurico apertou o nó da gravata, respirou fundo e deu mais uns passos. Passada a roleta, subiram em direção ao salão. Como não havia reservado mesa, foi se encostando numa parede à direita do salão, onde outros também se acomodavam, em pé, aguardando o início do baile. Percebeu que as duas mulheres ocuparam uma mesa, e aquele homem estava também sentado, entre as duas. Impaciente, suas mãos começaram a suar. Não via muitas mulheres disponíveis. Além daquelas duas, poucas estavam sem parceiro e se encontravam já de pé, à beira do salão, ensaiando passos. Finalmente a apresentação da banda que acabara de entrar. O vocalista se apresentou, e em pouco tempo iniciaram o baile. Tocavam uma valsa. Os casais mais idosos já se levantavam para aproveitar esse ritmo mais lento. Eurico queria um bolero. Quinze minutos de valsas e o cantor anunciou que começariam a tocar os boleros logo após um breve intervalo. Eurico começou a olhar mais nervosamente para as mulheres disponíveis. Bem no fundo, junto à parede esquerda, reparou em uma, sentada e só. Não parecia esperar ninguém. Voltando os músicos, iniciaram o primeiro bolero. Eurico respirou mais uma vez com convicção e atravessou o salão em direção à mulher solitária.</font></p>
<p><font color="#800000" face="Verdana" size="-1">- boa noite!<br />
- boa noite, correspondeu ela.<br />
- está com alguém?<br />
- estou com umas amigas, mas já foram para o salão. Arranjaram com quem dançar.<br />
- e será que eu posso te convidar também?<br />
- bem, eu não sei dançar direito, por isso não costumo aceitar.<br />
- pois eu sei um pouco só, mas acho que podemos dançar alguns boleros.<br />
- então vamos, sorriu meio que por gentileza.<br />
Deram as mãos e Eurico levou-a para o centro do salão e imediatamente postou-se como um dançarino experiente, mão com mão e a outra na cintura da senhora e começaram a dar os primeiros passos, ambos olhando para o chão para terem certeza que não se pisariam.<br />
-um dois..um dois três&#8230;<br />
- Seu nome qual é?<br />
- Eurico, um&#8230; dois&#8230;um dois três&#8230;<br />
- O que você está fazendo, contando passos?<br />
- Um dois&#8230;hein? opa, desculpe, pulei um passo.. três&#8230;não&#8230;.vamos começar de novo..um&#8230;<br />
- Você só dança assim, contando os passos &#8230;em voz alta?<br />
- conte comigo, senão me perco. Hoje é meu primeiro dia,&#8230; dois três&#8230;<br />
- mas eu não sei contar assim&#8230;e está todo mundo olhando.. ai que vergonha&#8230;<br />
- Vergonha de que?  você está indo bem&#8230; um dois&#8230; um dois três&#8230;<br />
- Vou parar! estamos sendo observados! aquele casal está rindo de nós! olhe!!!<br />
- Não se preocupe, é&#8230; como disse que é o seu nome mesmo? &#8230;um..não ..dois três&#8230;me perdi de novo.<br />
- Eu não disse!. Olha, preciso ir embora, valeu a tentativa.<br />
- Fica mais uma música, esta já está&#8230;é&#8230;..três, não, dois&#8230;.vai, preste atenção comigo. É fácil. Um dois&#8230;<br />
- A senhora, com alguma dificuldade conseguiu se livrar da mão de Eurico, e afastou a outra de sua cintura.<br />
- Olhe Eurico, outro dia ok? eu preciso treinar mais e também está muito tarde. Adeus! – e virou-se rapidamente para sua mesa, com passos rápidos, catando seus pertences e sem olhar para trás, pegou a saída do salão, nitidamente sem coragem de encarar quem quer que fosse.<br />
Eurico, ainda no centro do salão, com olhar perdido pelos cantos, ficou sem saber se procurava alguma outra sem parceiro ou se pedia alguma coisa para beber. A música acabou e o vocalista anunciou uma pausa de 20 minutos. Eurico resolveu voltar para casa. Estava aborrecido. Da próxima vez procuraria alguém mais experiente.</font></td>
</tr>
</table>
</td>
</tr>
</table>
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		<title>Volta pra mim, meu amor !</title>
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		<pubDate>Sun, 27 May 2007 15:52:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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Ontem à noite me lembrei do meu amor. Fui procurá-lo, saber se tinha alguma novidade, alguma coisa pra me mostrar. Que surpresa ruim. Estava totalmente desligado, não havia mais aquela luz. Fiquei preocupado. Estava gelado mesmo. Precisei tocá-lo, acariciá-lo, mas senti o frio que dele chegava às minhas mãos e conseqüentemente, à minha alma. Pensei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=37&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
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<tbody>
<tr>
<td align="justify" valign="top">
<table border="0" width="420" align="justify">
<tbody>
<tr>
<td valign="top">
<p align="justify"><span style="font-family:Verdana;color:#800000;"><br />
Ontem à noite me lembrei do meu amor. Fui procurá-lo, saber se tinha alguma novidade, alguma coisa pra me mostrar. Que surpresa ruim. Estava totalmente desligado, não havia mais aquela luz. Fiquei preocupado. Estava gelado mesmo. Precisei tocá-lo, acariciá-lo, mas senti o frio que dele chegava às minhas mãos e conseqüentemente, à minha alma. Pensei tê-lo perdido. Não tinha mais o brilho que me encantava, poucas horas atrás. Sem sentido isso, de repente negar a se corresponder comigo sem que eu tivesse feito qualquer coisa para que isso acontecesse. Só aquele silêncio, um silêncio pesado que pairava em nosso ambiente.</span><img class="alignright" style="margin:20px;" src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2007/05/voltapramim.jpg?w=120&#038;h=187" alt="voltapramim.jpg" hspace="20" vspace="20" width="120" height="187" align="right" /><br />
<span style="font-family:Verdana;color:#800000;">Não me dei por vencido, tentei de todas as maneiras reanimá-lo, pressionando-o para que voltasse àquela vida, aquele brilho. Mas foi em vão. Deixei-o um pouco ali, de lado. Fiquei a pensar em alguma outra forma de fazê-lo se abrir para mim novamente. Ou quem sabe, por um milagre, deixá-lo quieto, por alguns segundos, minutos, horas até. Mas a cada segundo que passava, o medo de não vê-lo mais a se comunicar comigo me consumia, me transtornava demais. O que poderia ter acontecido?. Tentei fazer outras coisas ali, me distrair, tirar aquele pesadelo de minha cabeça. Mas a todo instante, olhava-o com ternura. Um amor tão novo, duas semanas de convívio e já estava assim. Inexplicável. Talvez alguma coisa que fiz sem me dar conta, mas o suficiente para ele permanecer dessa forma. Nesse instante, um lampejo me veio à cabeça. Ali não era o lugar certo para trazê-lo de volta. O problema, com certeza estava ali. Resolvi levá-lo para o quarto. Uma esperança me reacendia. Fiz o que pensei ser certo e como num passe de mágica ele voltou! mostrou com todas as forças que não havia me abandonado. Era pura falta de energia. Conectado a uma tomada, meu celular voltou a mostrar suas cores, seu brilho. Respirei aliviado. Não seria dessa vez que o perderia, não sem um motivo justo. Não havia feito nada de errado para ele se comportar assim comigo.<br />
Abri meu sorriso, meu coração pulsou como antes. Estava novamente feliz junto ao meu amor.</span></td>
<td valign="top"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
<td valign="top"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>Procura-se Suélen, desesperadamente</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2007 22:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
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Antony era um aficionado em internet. Desde que a net passou a existir, ele já conversava com pessoas dos mais diversos lugares. A princípio, com interesse em arranjar boas companhias, encontros. Mais para frente, já com sua namorada na própria cidade, continuou com seu fascínio. Agora havia inventado uma outra forma de divertir-se on-line: criar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=30&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p align="justify"><font size="-1" color="#800000" face="Verdana"><br />
Antony era um aficionado em internet. Desde que a net passou a existir, ele já conversava com pessoas dos mais diversos lugares. A princípio, com interesse em arranjar boas companhias, encontros. Mais para frente, já com sua namorada na própria cidade, continuou com seu fascínio. Agora havia inventado uma outra forma de divertir-se on-line: criar personagens e assumi-los inteiramente, fazendo-se passar por ele ou ela, com riqueza de detalhes, fotos, história da vida. Tudo anotava, para não fazer confusão nem ser incoerente. O primeiro personagem que criara foi Galli Ignácio, um mulherengo a qualquer custo. Bastava aparecer uma mulher on-line, conhecida ou não e Antony assumia aquele personagem, como se ele mesmo não existisse. As amigas sabiam tratar-se de Antony, mas ele não se revelava. Queria fazer-se passar por outra pessoa, dizendo que estava usando o micro de Antony, que morava na mesma casa. Fazia isso conscientemente, sabendo que suas amigas estavam entendendo a idéia e davam força a ele, colaborando com sua fantasia.</font><img align="right" src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2007/05/suelen.jpg" alt="suelen.jpg" /><font size="-1" color="#800000" face="Verdana"> Em seguida criou Suélen. Encontrou essa foto numa pesquisa que fizera na net. Era a foto de uma loura apoiando os cotovelos sobre uma mesa ou coisa parecida, com as duas mãos por trás da cabeça, como se estivesse agoniada, pensando em algo muito sério na vida. Era uma foto em preto e branco. Antony ficara impressionado com o ar de mistério que transmitia aquela moça e tratou imediatamente de colocar nome e dados em seu novo personagem. Chamar-se-ia Suélen. Uma mulher de 28 anos, muito bonita, atraente, inteligente, mas que não conseguia prender-se a ninguém. Não tinha sorte com homens. Desencantada, desiludida.<br />
Assim passou Antony a viver seus momentos na pele de outra pessoa, personagens que a cada dia ia tomando forma, tomando corpo, vivendo-os cada vez mais intensamente. Passou a dividir suas preocupações diárias reais. Tinha que resolver pendências da vida do Ignácio e da Suélen. O que fariam, o que falariam. Cada vez mais fazendo parte da vida deles e eles da sua.<br />
Certo dia, um vírus infectou seu micro e teve que formatar. Aborrecido, reiniciou o sistema, instalou os programas que usava normalmente para conectar-se, além de outros para escrever e editar fotos. De repente veio-lhe à mente um sentimento de perda muito grande: havia salvado a foto apenas do Ignácio. Porém a de Suélen estava no micro para ser melhorada, iria dar mais contraste além de outros efeitos. Ela estava irremediavelmente perdida. Com ela, parte de sua personalidade, também havia morrido. Sem a foto em seu programa de mensagens, não era mais o mesmo. Não sem ver o rosto de Suélen, agora apenas em sua lembrança. Amargurado, deixou de viver também seu outro personagem, passando as noites a procurar Suélen desesperadamente.</font></td>
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<p style="text-align:justify;" class="MsoNormal"><strong><span style="font-size:10pt;color:#606060;font-family:Verdana;"><br />
</span></strong></p>
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		<title>O Mágico</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2007 22:01:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
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Henry era um mágico de grande prestígio. Fazia todo tipo de coisas, de deixar a platéia de boca aberta.
- Como ele faz isso! Exclamavam os que o assistiam.
Tinha em seus espetáculos, efeitos incríveis. Pessoas que sumiam ao serem envolvidas por lençóis coloridos. Pássaros que saiam de sua mão, sem saberem de que forma. Era realmente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=28&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
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<table border="0" align="center" width="420">
<tr>
<td vAlign="top">
<p align="justify"><font size="-1" color="#800000" face="Verdana">Henry era um mágico de grande prestígio. Fazia todo tipo de coisas, de deixar a platéia de boca aberta.<br />
- Como ele faz isso! Exclamavam os que o assistiam.<br />
Tinha em seus espetáculos, efeitos incríveis. Pessoas que sumiam ao serem envolvidas por lençóis coloridos. Pássaros que saiam de sua mão, sem saberem de que forma. Era realmente um mágico de primeira qualidade.<br />
Sua assistente, Angel, uma moça nova, atuava nas apresentações onde Henry atirava, de olhos vendados, aquelas facas pontiagudas em sua direção, enquanto ela girava amarrada a uma gigantesca roda de madeira, com tochas de fogo, para tornar a coisa mais impressionante, mesmo que as labaredas não interferissem em coisa alguma.<br />
Mas certo dia, Angel sumiu. Um dia antes de uma apresentação marcada em certo clube de uma cidade de interior, tudo já acertado, cachês, músicos, técnicos de iluminação e auxiliares em geral, Henry recebeu uma carta de Angel, simplesmente dizendo que havia viajado para se casar e não voltaria a atuar, por exigência de seu noivo. Não falara pessoalmente, conforme constou na carta, de medo de seu mestre. Henry era muito explosivo quando algo saia errado. Imaginou como ficaria quando soubesse que estaria sem sua assistente, a poucos dias de seu show. Não havia substitutas, para alguma eventualidade.<br />
Sendo assim, o mágico fez alguns contatos urgentes com amigos seus da classe e acabou recebendo o telefone de uma assistente que teria trabalhado para um mágico por algum tempo e que teve que se retirar dos palcos pelos mesmos motivos. Mas ela estava num processo de separação e resolveu voltar à atividade. Por esse motivo, passaram-lhe o tal número.<br />
Imediatamente, Henry fez a ligação, encontrando-a em casa. Após explicar o acontecido, Amanda se dispôs a viajar urgentemente para a cidade onde Henry estaria se apresentando. Quanto aos números, conhecia-os quase todos. Mesmo porque não existe mistério em ficar amarrada a uma roda giratória. Bastava ter sangue frio e crer em seu mestre. Nem muito menos quando o que fazia era apenas servir os materiais necessários ao mágico.<br />
Outra apresentação que causava arrepios e apupos da platéia, era a mágica do caixão mágico, onde a moça entrava, a tampa era fechada e, uma a uma, Henry espetava imensas espadas cintilantes nos orifícios de cima, transpassando-as até que aparecessem do lado de baixo do caixão, sustentada por dois cavaletes. Por algum motivo fantástico, nenhuma gota de sangue escorria do caixão. No momento de enterrar a espada, o mágico fazia uma encenação, demorava alguns segundos, como que se concentrasse profundamente e, com violência, fazia penetrar a lâmina, arrancando gritos dos apreensivos espectadores. Ma nem um gemido se ouvia de lá de dentro. Tudo era realmente mágico.<br />
Outra mágica interessante e essa, Amanda ainda não tinha executado com ninguém, era a de ser amarrada, algemada e enfaixada dentro de um grande saco, vestida toda de azul, cheio de lantejoulas que pareciam verdadeiros faróis. Ao sair misteriosamente de dentro, em pouco mais de um minuto, estava vestida toda de vermelho. Realmente era um número espantoso.<br />
De manhã, Amanda chegou à rodoviária, indo até lá o mágico, para buscá-la. No caminho, veio tratando do assunto de cachê, além de explicar como funcionavam alguns pequenos truques que ela ainda não conhecia. Poucos mesmo, pois Amanda era uma assistente muito experiente.<br />
Henry estava almoçando com a nova assistente num modesto restaurante, quando toca o celular da moça. Ficou paralisada, ouvindo tudo o que lhe era falado. Uns dez minutos se seguiram sem que Amanda falasse um “a”. Ao desligar, olhou para o mágico. Estava bem pálida. Agarrou um copo de água e tomou-a com certa dificuldade.<br />
- O que foi, Amanda? problemas?<br />
- Meu marido. Estamos em fase de separação e ele não aceita de forma alguma. Mas entrei com pedido de divórcio há uns meses e semana que vem tudo se resolverá. Mas ele não está aceitando, disse que se eu não retirar hoje mesmo o pedido, ele vai cometer uma loucura. Estou com medo, Henry. Ele é maluco, já fez coisas horríveis por ciúmes. Sempre trabalhei com mágicos, obviamente me trocava na mesma cabine que eles. Ele não se conformava, queria que eu abandonasse esse tipo de trabalho, mas é tudo que sei fazer. Agora me faz ameaças de morte.<br />
- Ele sabe onde você está?<br />
- Falei. Sou uma idiota mesmo. Ele veio calmamente ontem à minha casa e conversamos sobre a separação, ele parecia bem. Aí contei que teria de viajar, ele perguntou para onde e eu, boba, contei. Tenho medo que ele apareça. Depois que contei que estaria novamente com um mágico, ele se revoltou, chutou uma cadeira, atirando-a contra a parede. É um monstro.<br />
- Vamos então tomar algum cuidado. Pena que esta cidade é pequena, não vai ser difícil dele descobrir onde vamos nos apresentar, está estampado com faixas pela cidade toda. Vamos ficar atentos. Aqui mal tem policiais na delegacia, quanto mais para ficar te protegendo.<br />
- Bem, deixe assim. Não podemos deixar de nos apresentar, Henry. Me conte tudo que tenho que fazer, repita aquele número do saco, que não entendi bem algumas coisas.<br />
Chegada a hora do show, à noite do dia seguinte, as cortinas se abriram, a música fantástica percorreu todo o salão do clube, luzes, spots, canhões, iluminavam todo o local. O clube não era muito grande por se tratar de uma cidade de pouco mais de cinquenta mil habitantes. Mas estava lotado. Os poucos lugares vazios, aos poucos iam sendo ocupados, ainda pessoas chegando pelos corredores. Tudo pronto, Henry e Amanda muito bem vestidos, muitas luzes em suas vestes artísticamente elaboradas, o povo freneticamente os aplaudiu, sabendo da grande capacidade e conceito do mestre. Alguns estranharam a presença de Amanda, pois conheciam pelas revistas, a antiga assistente. Mas isso era o de menor importância. Henry estava ali ! .<img align="right" src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2007/05/omagico.jpg" alt="omagico.jpg" /><br />
Após os cumprimentos de praxe, começaram imediatamente a executar números menores, um tipo de aquecimento, até chegarem aos mais sofisticados, de grande impacto emocional.<br />
Uma hora de show, vários números se seguiram e chegara o momento de um dos grandes. Primeiramente o do caixão e para terminar o show, o do lançamento das facas e o do saco. Era sempre assim.<br />
Amanda se posicionou frente ao caixão, uma pequena escadinha foi colocada ao lado, para que pudesse subir e deitar-se lá dentro. A grande caixa era mesmo justa e por felicidade de Henry, correspondia ao tamanho das duas assistentes. Eram muito parecidas fisicamente. Deitada, o mágico fecha a tampa e lá estava Amanda para mais um número de prender o fôlego de quem assistia. Ao lado do caixão, um suporte contendo as 10 espadas. Longas, com quase um metro de comprimento. Brilhavam, aparentemente feitas de puro aço e afiadas como as facas de um açougueiro. Henry posicionou-se aos pés do caixão onde seria enterrada a primeira delas. Aos poucos iria subindo até a área da cabeça da assistente. Posicionado, com a ponta da espada encostada no primeiro orifício, fez o movimento enérgico para baixo, um som estridente lá do fundo elaborado pelo sonoplasta, fez o público gritar um “oh!” em côro harmonioso. Palmas. Outra espada, um pouco mais para cima, nova espetada, outros arrepios. Agora no meio do caixão, a altura do tórax, uma outra espada apontando para o orifício, novo movimento enérgico para baixo, um som mais estridente do fundo, para causar maior espanto, a platéia se levanta, grita. Repentinamente um som abafadado dentro do caixão, como se a assistente batesse a cabeça na tampa. Henry estranhou, pois a espada entrara com mais dificuldade, talvez tivesse acontecido algo errado, Amanda se machucado lá dentro com alguma coisa. Olhou embaixo e aterrorizado, viu a lâmina coberta de sangue, uma pequena poça se formara sob o caixão. Muitas pessoas próximas ao palco desmaiaram, outras passando mal, com falta de ar, abanadas pelas que estavam ao lado e que ainda conseguiam respirar. Bocas abertas, nada entendendo daquele cena aterrorizante. Alguns da platéia sorriram, pois entenderam que era um efeito de terror acrescentado, para dar ao número, um impacto fulminante. Mas não era. Realmente algo havia saído errado, Henry abriu atabalhoadamente a tampa e lá estava sua linda assistente, com os olhos abertos, sem piscar. Estava morta. A espada havia lhe perfurado o estômago e, como a madeira do caixão era extremamente fina embaixo, a espada não teve dificuldades em atravessá-lo, também. Os auxiliares do mestre correram a ajudá-lo vendo-o estático, pálido, com as pernas se dobrando. Um minuto depois, Henry estava no chão, abanado pelos operadores do palco, mais alguns da platéia que lá subiram com a finalidade de constatarem a tragédia. No dia seguinte a polícia apresentou os dados do laudo, informando que uma das espadas havia sido burlada e não funcionou como normalmente deveria. O mandado de busca ao marido da assistente havia sido expedido.</font></td>
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</tr>
</table>
</td>
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</tr>
</table>
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		<title>Quintais</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2007 21:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
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Estava na hora. Em poucos minutos ela estaria dobrando a esquina novamente. Era sua nova vizinha. Estava morando na casa ao lado, idêntica à sua, há apenas duas semanas. Adalberto achava-a muito atraente e estava só. Não por opção, mas pela sua timidez. Precisaria ter razões muito fortes para chegar a ponto de entrar em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=25&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><table border="1" bgColor="#ebe5d3" align="center" width="470">
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<td align="center" vAlign="top">
<table border="0" align="center" width="420">
<tr>
<td vAlign="top">
<p align="justify"><font size="-1" color="#800000" face="Verdana">Estava na hora. Em poucos minutos ela estaria dobrando a esquina novamente. Era sua nova vizinha. Estava morando na casa ao lado, idêntica à sua, há apenas duas semanas. Adalberto achava-a muito atraente e estava só. Não por opção, mas pela sua timidez. Precisaria ter razões muito fortes para chegar a ponto de entrar em contato direto com ela e faltava pouco para isso.</font><img align="right" src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2007/05/quintais1.jpg" alt="quintais1.jpg" /><br />
<font size="-1" color="#800000" face="Verdana">Estava acompanhando seus passos há alguns dias, vendo-a sair da casa para pendurar roupas no varal, ou carregar coisas para um pequeno quarto nos fundos do quintal. Observava tudo através de uma pequena fresta que abria entre os panos da cortina dos quartos do fundo.<br />
Certa vez aconteceu de Mariana perceber seu vulto na janela, fez que não notou e continuou a colocar suas peças para secar. Desse dia em diante, ficou curiosa para conhecê-lo. Passou a freqüentar a janela dos fundos também, com intenção de entender seus horários e assim poder analisá-lo sempre que aparecesse no quintal.<br />
A partir do dia seguinte, já teve a oportunidade de vê-lo, colocando roupas no varal, mexendo no quarto dos fundos. Seus hábitos eram muito parecidos.<br />
Passadas três semanas, Adalberto preparava-se para ir até a padaria quando, ao sair de casa, deu de cara com Mariana chegando não sabia de onde. De frente, um para o outro na calçada em frente à sua casa, acabaram se falando.</font><font size="-1" color="#800000" face="Verdana"><br />
- Olá, vizinho! &#8211; com um leve sorriso.<br />
- Oi, &#8230;Mariana.<br />
- como sabe meu nome?<br />
- ouvi seu filho te chamando&#8230;<br />
- ahhh&#8230;<br />
- E o seu? Armando? Antonio? Álvaro&#8230;<br />
- Adalberto&#8230;.. como sabia?&#8230; ahhh&#8230; pela letra &#8220;A&#8221; em alguns agasalhos meus&#8230;<br />
- isso! (riram)<br />
- Mas você&#8230; que aconteceu com seu marido&#8230;separaram-se?<br />
- Estranhou não vê-lo comigo?<br />
- Percebi que não tem roupas de homem no varal. Só as suas e do Rodrigo.<br />
- Nossa! sabe até o nome do meu filho&#8230;andou me vigiando né? (sorrindo)<br />
- Estava no meu quarto dos fundos e ouvi várias vezes quando o chamou.<br />
- Entendo&#8230;<span> </span>E aquela senhora que freqüenta sua casa&#8230; sua mãe?<br />
- Sim, vem me ajudar nas roupas&#8230;(risos) não sou muito bom pra lavar roupas.<br />
- Faz falta uma mulher, não é?<br />
- Muito&#8230;<br />
- Quem sabe posso te ajudar a cuidar das suas roupas, se me ajudar a fazer alguns reparos em casa. Coisas de homem&#8230;.torneiras, chuveiro&#8230;.que tal?<br />
- Combinado. Vamos comemorar com uma pizza hoje a noite? sei que gosta.<br />
- como sabe?<br />
- Vejo sempre você colocando as caixas de pizzas no latão de lixo, no quintal.<br />
- (sorrindo) É verdade. E você adora comida chinesa, não é mesmo?<br />
- (gargalhada) viu as minhas caixinhas também&#8230;<br />
Deram um abraço amigo e se despediram.</font><font size="-1" color="#800000" face="Verdana"><br />
Ela, na janela dos fundos de sua casa, imaginando ter encontrado uma boa companhia, enquanto revê algumas roupas de Adalberto. Ele, a caminho da padaria, entendendo que fôra feliz encontrando-a na calçada e imaginando como estará linda à noite.</font></td>
<td vAlign="top"> </td>
</tr>
</table>
</td>
<td vAlign="top"> </td>
</tr>
</table>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/contosdavidahumana.wordpress.com/25/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/contosdavidahumana.wordpress.com/25/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contosdavidahumana.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contosdavidahumana.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contosdavidahumana.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contosdavidahumana.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contosdavidahumana.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contosdavidahumana.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contosdavidahumana.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contosdavidahumana.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contosdavidahumana.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contosdavidahumana.wordpress.com/25/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=25&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Amor perdido</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2007 04:13:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[





O sol estava se pondo.
O amarelo alaranjado banhava o mar, chegando até as areias da praia.
Ali andava a passos lentos, Laura.
 Cabeça baixa, olhos vagos, como que contando os passos sem perceber.
 O vento fraco levantava-lhe uns poucos fios de seus cabelos negros.
Esfriava, mas seu corpo não sentia a diferença.
Escurecia, mas seus olhos vislumbravam outra [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=22&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><table align="center" bgcolor="#ebe5d3" border="1" width="470">
<tr>
<td align="center" valign="top">
<table align="center" border="0" width="420">
<tr>
<td align="justify" valign="top">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;">O sol estava se pondo.<br />
O amarelo alaranjado banhava o mar, chegando até as areias da praia.<br />
Ali andava a passos lentos, Laura.</span><br />
<span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;"> Cabeça baixa, olhos vagos, como que contando os passos sem perceber.</span><img src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2007/05/amorperdido.jpg" alt="amorperdido.jpg" align="right" /><br />
<span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;"> O vento fraco levantava-lhe uns poucos fios de seus cabelos negros.<br />
Esfriava, mas seu corpo não sentia a diferença.</span><br />
<span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;">Escurecia, mas seus olhos vislumbravam outra coisa.<br />
O antigo encontro.<br />
Aquele que há quase um ano, fez diferença em sua vida.<br />
Não poderia estar acontecendo isso.<br />
Acostumara-se a amar todas as noites, ter seu abraço e seu beijo quando o desejo assim exigisse. Ouvir carinhos, vibrar em seu cheiro.<br />
Mas agora tudo era apenas lembrança. Seu amor estava longe. Bem longe. Tão longe que só alcançado por seu pensamento mais intenso.<br />
<span> </span>Em algum lugar além-mar. Além de seu alcance, de suas forças.<br />
Não por vontade própria se fôra, mas pelo destino das coisas.<br />
Não importava, no entanto, os motivos. Importava só a ausência, que formava dentro de si um vazio sem tamanho.<br />
Olhou de novo o mar. Lá, nos limites da visão, o horizonte, a forte luz restante do sol fechando-lhe a pupila, quando mais necessitava ver.</span><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;"><br />
De novo nas areias, frente a seus passos, outros passos. Não os seus, nem os dele. Talvez de alguém que por ali também vagara lembrando-se, quem sabe, de outro caso de amor perdido.</span></td>
<td valign="top" width="0">&nbsp;</td>
</tr>
</table>
</td>
<td valign="top" width="0">&nbsp;</td>
</tr>
</table>
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		<title>Destinos</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2007 05:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Life]]></category>
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&#160;
&#160;
 
Chovia demais. Pela janela da sala, Eleonora via as árvores de frente de sua casa como se quisessem voar céu afora. Os fios dos postes bailavam como crianças a pular corda. Tudo estava fechado. O tempo já se mostrara pouco amistoso, meia hora atrás.
 Enquanto isso, fazia o casaquinho de tricô. O casaquinho azul. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=17&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><table align="center" bgcolor="#ebe5d3" border="1" width="470">
<tr>
<td align="center" valign="top">
<table align="center" border="0" width="420">
<tr>
<td align="justify" valign="top">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;">Chovia demais. Pela janela da sala, Eleonora via as árvores de frente de sua casa como se quisessem voar céu afora. Os fios dos postes bailavam como crianças a pular corda. Tudo estava fechado. O tempo já se mostrara pouco amistoso, meia hora atrás.</span><img src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2007/05/tricotando21.jpg" alt="tricotando21.jpg" align="right" /><br />
<span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;"> Enquanto isso, fazia o casaquinho de tricô. O casaquinho azul. Seria menino. Estava com 7 meses, todos os exames feitos, tudo ok. Seu marido estava viajando, representante de uma indústria na capital. Pouco parava em casa. Mas tinha o período de férias dele, que seria no próximo mês. Poderia acompanhar um pouco a sua gestação, ajudá-la em algumas coisas da casa. Sua barriga estava grande, tinha dificuldades para abaixar-se e tudo o que fosse relacionado a movimentos. Felizmente não tivera aquelas confusões de gestantes, como desejos e vômitos. Tudo estava indo muito bem, seu médico acompanhava periodicamente seu estado. Enquanto tricotava, imaginava o futuro de seu bebê. Advogado? Médico? Engenheiro? Bobagem. Nem sequer saíra de seu ventre e já estava querendo prever-lhe o futuro. Nisso toca o telefone. Eleonora, com toda dificuldade do mundo, conseguiu erguer-se do sofá que estava por demais macio, afundando muito ao sentar-se. Largou seu casaquinho no sofá e foi lentamente em direção ao telefone, resmungando enquanto andava, acreditando ser um daqueles telemarketings que oferecem bolsas de estudo grátis, pagando apenas o material didático. O telefone também estava ruim, muito chiado, pois a tempestade estava forte, raios, trovões, vento excessivo, provavelmente dando curto em toda fiação.<br />
- Alô!<br />
- Alôôô!<br />
- Por favor, a dona Cida. Pode chamá-la?<br />
- aqui não tem dona Cida não, moça. Só eu e meu marido.<br />
- Desculpe o incômodo, devo ter discado errado.<br />
Desligou. Eleonora põe o fone no lugar, massageia sua barriga imensa, sentia o bebê mexendo-se bastante. Nesse momento, um estrondo na rua, como se o mundo estivesse a partir-se ao meio. Deu um passo em direção à sala, quando o teto lá à frente veio abaixo, destroçado por uma das árvores centenárias existentes junto à sua calçada. Seu tronco era enorme, chegando próximo a um metro de diâmetro, vindo a cobrir todo o sofá e móveis que havia por perto. Aterrorizada, puxou a primeira cadeira que havia por perto, respirando com dificuldade, tentando refazer-se do susto. Seu sofá não existia mais. Sua sala estava definitivamente perdida no meio de todo pó que pairava no ar. Nesse momento já entrava em sua casa, o vizinho da frente, conhecido da família, temendo o pior. Encontrou-a estática em sua cadeirinha, parou, olhou-a e soltou um sorriso de alívio por encontrá-la bem. Sem conversarem, sentou-se em outra cadeira junto a ela e ficaram a olhar aquele amontoado de tijolos, vigas. E ela a tentar entender: será que a tal moça do telefonema tem noção do destino que deu à sua vida e de seu filho?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;color:navy;"> </span></p>
</td>
<td valign="top" width="0">&nbsp;</td>
</tr>
</table>
</td>
<td valign="top" width="0">&nbsp;</td>
</tr>
</table>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/contosdavidahumana.wordpress.com/17/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/contosdavidahumana.wordpress.com/17/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contosdavidahumana.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contosdavidahumana.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contosdavidahumana.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contosdavidahumana.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contosdavidahumana.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contosdavidahumana.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contosdavidahumana.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contosdavidahumana.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contosdavidahumana.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contosdavidahumana.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=17&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>A moça do censo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Apr 2007 03:58:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Life]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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&#160;
&#160;
Toca a campainha.
Abre a porta um homem de shorts, uma camiseta com alguns rasgos nos ombros, barba por fazer, olhar fixo, cabeça meio caída para um lado, aparentando uns 35 anos.
- Boa tarde!
- Que você quer?
- Boa tarde, eu sou do Censo e estamos fazendo o levantamento deste ano. Minha área é esta. Posso lhe [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=8&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><table border="1" bgColor="#ebe5d3" align="center" width="470">
<tr>
<td align="center" vAlign="top">
<table border="0" align="center" width="420">
<tr>
<td vAlign="top">
<p style="text-align:justify;" class="MsoNormal"><span style="color:maroon;"></span></p>
<p align="right">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;" class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p align="justify"><span style="font-size:9pt;color:navy;font-family:Tahoma;">Toca a campainha.<br />
Abre a porta um homem de shorts, uma camiseta com alguns rasgos nos ombros, barba por fazer, olhar fixo, cabeça meio caída para um lado, aparentando uns 35 anos.</span><img align="right" src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2007/05/moca-do-censo.jpg" alt="moca-do-censo.jpg" /><br />
<span style="font-size:9pt;color:navy;font-family:Tahoma;">- Boa tarde!<br />
- Que você quer?<br />
- Boa tarde, eu sou do Censo e estamos fazendo o levantamento deste ano. Minha área é esta. Posso lhe fazer umas perguntas?<br />
- Entre.<br />
- É rápido, não há necessidade de me sentar, obrigada.<br />
- Entre. Não posso ficar de pé muito tempo. Varizes (apontando para sua perna aparentemente sã).<br />
- Entendo. Com licença, então.<br />
Ela senta-se num sofá de dois lugares, rasgo no centro dos dois assentos e no encosto, um tecido jogado para cobrir outros, de alguma possível cortina estampada.<br />
Ele entra logo atrás dela e fecha a porta com a chave do bolso e volta a guardá-la.<br />
- Segurança moça. Isso aqui é terra de bandido.<br />
- É sempre bom tomarmos cuidados sim (num sorriso misto de compreensão e preocupação).<br />
Ele acomodou-se no outro assento, ao lado dela, com um dos braços no braço do sofá e outro sobre o encosto, quase roçando-lhe os cabelos. Pernas desleixadamente abertas.<br />
- Bom, como eu disse ao senhor&#8230;.<br />
- Pode me chamar de José.<br />
- Bom, seu José&#8230;<br />
- José só, eu gosto mais. Me sinto velho desse jeito.<br />
- Certo. José, como te disse, eu estou fazendo levantamento e&#8230;<br />
- Sei, sei, sei o que o Censo faz. Você quer perguntar o que? pode ir perguntando.<br />
- Tá.<br />
Suas mãos estavam suadas e o lápis mal parava entre os dedos. Tremiam nitidamente e de sua testa já brotavam algumas gotas. Sem olhar diretamente aos olhos do homem, continuou.<br />
- Primeira coisa é saber quantas pessoas moram aqui. O senhor&#8230;<br />
- Você!<br />
- Isso. Você, sua esposa, filhos?<br />
- Moro só. Pode por ai: um.<br />
- Ok. Um.<br />
- Casado, solteiro, divorciado&#8230;<br />
- Se moro sozinho, sou solteiro né.<br />
- Solteiro.<br />
- Filhos&#8230;não tem, não é José.<br />
- Tenho. Três. Fiz com a vizinha. Mas não casei. Nem vou casar.<br />
- Três.<br />
A moça estava pensando seriamente em dar por encerrada a entrevista, mas lembrou-se que estava a serviço. Tinha que levar isso até o fim, embora seu coração parecesse querer sair pela boca. Mesmo porque não tinha como sair sem que ele permitisse.<br />
- Que mais&#8230; ah.. .idade do&#8230;sua.<br />
- 35. Pode por assim.<br />
- 35. Certo.<br />
- É&#8230; essa casa é sua, José?<br />
- Você está nervosa, tá tremendo. Quer beber alguma coisa pra relaxar? tem vodca, pinga, cerveja se achar que é muito forte.<br />
- Obrigado, eu não posso beber em serviço. Sua casa?<br />
- Você não me disse seu nome. Eu disse o meu já.<br />
- Ah, desculpe. Maria Cristina. Prazer.<br />
- O prazer é meu. Não quer beber mesmo? ninguém vai ficar sabendo. (fazendo gesto apontando para os fundos).<br />
- É , eu sei, mas eu fico meio mal, você entende. ( num sorriso forçado e nervoso).<br />
- Então José, me conte, essa casa é sua?<br />
- Não. É dos meus pais. Morreram.<br />
- Morreram. É&#8230; casa dos pais&#8230;.pronto.<br />
- Você trabalha, José?<br />
- Claro né. Se fosse vagabundo, morria de fome. (gargalhada mostrando ausência de alguns dentes). Ela tentou uma gargalhada, mas sem convencer ninguém.<br />
- Está certo, José. Faz o que então? vou anotar aqui neste campo. (respirando fundo).<br />
- Eu vendo sucata.<br />
- Sucata. Autônomo&#8230;não.. que eu poria&#8230;<br />
Maria Cristina começou a pensar. Tinha que sair dali. O homem estava ficando impaciente, começava a por as mãos entre as pernas, com intenção de provocá-la, sentiu isso. Teria que ter um tempo para ver alguma saída, pois a porta estava trancada e ele guardara a chave no bolso.<br />
Bom, posso ver os cômodos da casa? preciso anotar aqui quantos tem&#8230;entendeu?<br />
Ele levantou-se, virou-lhe as costas e fez um gesto para acompanhá-lo.<br />
- Venha. Vamos lá para os fundos, você vai contando aí.<br />
A moça levantou-se em seguida, aproveitando que ele estava de costas e foi examinando janelas, portas&#8230; mas só havia uma janela e não daria para passar nem um gato. Somente aquela da sala. Porta, só tinha visto a da entrada. Seguindo num corredor escuro, sem janelas, chegou a um quarto.<br />
- Anota ai. Um quarto.<br />
- Um&#8230;só tem um quarto?<br />
- Só. Moro sozinho. Olha aí, minha cama. E ali, um sei lá o que. Móvel.<br />
- Ok. Um quarto. Cozinha?<br />
- Lá no fundo. Mas não é cozinha. É um lugar ai, onde eu fico parado. Não sei como chama isso. Tem uma cadeira ali, olha lá&#8230; e a outra &#8230;tirei daqui. E essa mesa no meio. Nem mesa é, é um caixote dos bom que eu achei. E o fogão de lenha ali, que eu esquento a marmita que a vizinha me faz. O que é aqui?<br />
- José, acho que é um &#8230;pode ser uma cozinha mesmo. Uma cozinha, vou marcar.<br />
- Tá certo. Agora aqui é banheiro. Uso como banheiro, tem só uma privada. Nem pia nem chuveiro. Uso da vizinha ainda. (desferiu um sorriso meio jocoso).<br />
- Muito bem. Um banheiro. Marquei então um quarto, um banheiro, a cozinha e uma sala lá na entrada&#8230; Tem outra entrada para a casa? quintal?<br />
- Não moça. Às vezes saio pela janela aqui, quando uns caras aparecem que eu não me entendo com eles, tá sabendo? mas porta é só aquela mesmo.<br />
- Não tem quintal então.<br />
- Tem o quintal do vizinho, por onde eu saio aqui pela janela.<br />
- Tá&#8230;mas não é seu terreno.<br />
- Nada é meu aqui. Dos meus pais, te disse.<br />
- Ok&#8230;bom&#8230; cozinha. Já marquei.<br />
- Então está certo, José, vamos voltar lá para a sala, que preciso completar a sua ficha.<br />
Maria Cristina seguia para a sala, cujas pernas mal a mantinham em pé. A passos largos, tentava chegar o mais rápido ao lugar mais claro da casa. Ou menos escuro. Atrás vinha o homem, quase encostando em sua roupa, escutando claramente sua respiração.<br />
Sentou-se novamente no sofá, empunhou a prancheta e &#8230;precisava de um tempo para verificar aquela janela da sala. Era de correr, mas tinha um arame amarrado. Teria que soltá-lo e pular para aonde exatamente, não tinha a menor idéia. O homem sentou-se ao lado dela, agora com uma das coxas encostando em sua calça. Maria Cristina fingiu incomodar-se com o sofá, olhou como se algo a tivesse beliscado e sentou-se novamente, afastando-se das pernas do José, que já havia deixado abertas ainda mais.<br />
- Então, José, agora vou precisar do seu documento. Preciso anotar aqui o CIC e o RG. O seu&#8230;você tem ai?<br />
- Tá lá nos fundos. Em algum lugar. Não uso esse tipo de coisa. Sei de cabeça os número. Anota aí&#8230;é&#8230; 12&#8230;<br />
- Desculpa José, mas preciso anotar várias coisas do documento. Por favor, vá buscá-los que eu anoto num instante ( abrindo um largo sorriso, na tentativa de dar-lhe confiança e deixá-la a sós por algum tempo).<br />
- Vou buscar. Me espere aí , ok?<br />
- Ok, estou esperando.<br />
José caminhou um pouco e parou. Olhou para trás, viu-a com aquele mesmo sorriso e seguiu para o fundo da casa.<br />
Não sabia se já tentaria abrir a janela. De repente, ele poderia estar parado ali na curva, aguardando algum movimento seu. Mas ouviu o barulho de caixas, madeira e percebeu que ele realmente tinha ido até lá. Levantou-se rapidamente, colocou a prancheta com o maior cuidado para não fazer barulho e começou a desatar o rolo de arame que unia o fecho da janela. No desespero, acabou ferindo um dos dedos, com vários pingos de sangue já no chão, continuou, agora, sem medo de mais nada. Era sua chance única. Soltou o arame. Agora teria que correr as janelas nos trilhos. Tentou uma e fez um barulho horrível de ferrugem. José já estava na sala, olhando-a, com um leve sorriso.<br />
- Já achou, seu José? estava demorando, vim ver se tinha alguma casa aqui do lado para visitar logo após a sua&#8230;.estou vendo&#8230; é da sua vizinha? ( voltando a sentar-se em seu lugar, derrubando o lápis e em seguida a calculadora que estava sobre a prancheta).<br />
- Calma moça, vai quebrar tudo aí.<br />
Sua testa parecia uma cachoeira. Enxugou-a com as costas das duas mãos, olhando atentamente agora para os olhos do homem, tentando perceber se havia desconfiado de sua intenção.<br />
- O dedo. Você cortou o dedo. Olha o sangue aí.<br />
- Não é nada, não é nada. Foi o arame, descuido meu. (apertando o dedo contra a calça para estancar o sangue).<br />
- Quer um pedaço de pano para enrolar isso ai?<br />
- Obrigado, José, já parou, olha aí.<br />
- Você tá muito nervosa. Tá com medo? primeira vez sua é? (com um sorriso cínico).<br />
- Estou calma. É que faz muito calor aqui dentro, as janelas estão todas fechadas.<br />
- Por isso que eu fico assim de short&#8230;ou de cueca as vezes. Moro sozinho.<br />
Ele levantou-se foi até a janela, viu os pingos no chão, disfarçou e voltou a colocar o arame na janela.<br />
- Não posso descuidar. Essa turma anda armada. Se me vê aqui, já era.<br />
- Tudo bem. Tudo bem&#8230; o documento, o&#8230;como chama&#8230;o RG.. o senhor trouxe?<br />
- Trouxe a caixa que tem as coisas mais importantes minhas. Tá tudo aqui dentro.<br />
- Certo. Então o ..você me dê o RG primeiro.<br />
José abriu a caixa e com muita tranqüilidade botou a mão dentro, retirando um revólver, apontando com um leve sorriso, para o rosto da moça.<br />
- Não brinca com isso José&#8230;por favor! pode estar carregada e disparar acidentalmente. ( com uma voz de choro indisfarçável).<br />
- Não dispara não moça. Só se eu botar o dedo aqui, olha, no gatilho, como fiz agora. Agora você vem comigo lá pro fundo, que a gente vai conversar um pouco, tá bem? depois você vai embora. Prometo.<br />
No dia seguinte, a notícia corre, estampada na primeira página do jornal da cidade:<br />
Funcionária do Censo, Maria Cristina, 23 anos, divorciada, dois filhos, desaparecida no bairro do Treme-terra. Iniciadas as buscas hoje de manhã.</span></p>
<p style="text-align:justify;" class="MsoNormal"><span style="color:maroon;"></span></p>
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		<title>O dentista indagador</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2007 04:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mauro carneiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Life]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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Dr. Joaquim.
Um senhor já com seus cabelos bem grisalhos, em vias de se aposentar.
Não tanto por sua vontade, mas pela sua saúde. Com uma pequena isquemia cerebral, já não coordenava muito bem as coisas, sua cabeça já não era a mesma de dois anos atrás.
Mas mantinha seus clientes antigos, que também eram tão ou mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contosdavidahumana.wordpress.com&blog=1005672&post=5&subd=contosdavidahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
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<table border="0" align="center" width="420">
<tr>
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<p align="justify"><span style="font-size:9pt;color:navy;font-family:Tahoma;">Dr. Joaquim.<br />
Um senhor já com seus cabelos bem grisalhos, em vias de se aposentar.<br />
Não tanto por sua vontade, mas pela sua saúde. Com uma pequena isquemia<strong> </strong>cerebral, já não coordenava muito bem as coisas, sua cabeça já não era a mesma de dois anos atrás.<br />
Mas mantinha seus clientes antigos, que também eram tão ou mais antigos que ele. Os mais jovens já haviam trocado de dentista há tempos. Mas o Dr. Joaquim não se importava muito com isso. Gostava dos bate-papos com seus clientes-amigos. Com os jovens não tinha muito do que falar. Encaminhava-os para uma dentista conhecida, mais paciente com crianças e adolescentes do que ele.<br />
Toca a campainha do consultório.<br />
Dr. Joaquim não tem mais secretária. Poucos pacientes, não teria como manter uma secretária. Nem mesmo necessidade. Ele mesmo fazia questão de ir até a porta, percorrendo um longo corredor e recebê-los pessoalmente, sempre muito bem disposto e feliz por contar com esses poucos e assíduos cidadãos.<br />
- Olá, meu caro Leonardo, entre! . Estava mesmo lhe esperando.<br />
Seu Leonardo era um dos pacientes mais antigos. Em se tratando da idade, também.<br />
Dr. Joaquim estava para lhe preparar uma prótese total superior, uma dentadura, a de cima.<br />
Seu Leonardo havia passado mal num churrasco, foi até o mato vomitar e a dentadura caiu numa moita espessa e lá ficou. Chamou algumas pessoas para ajudá-lo na captura, mas os poucos que se dispuseram a essa tarefa ingrata, não obtiveram sucesso. Talvez tivesse rolado ribanceira abaixo, supôs.</span></p>
<p class="MsoNormal"><img align="right" src="http://contosdavidahumana.files.wordpress.com/2007/05/o-dentistaindagador.jpg" alt="o-dentistaindagador.jpg" /></p>
<p align="justify"><span style="font-size:9pt;color:navy;font-family:Tahoma;">Então estava ali, sentado na velha cadeira de dentista, preparando-se para preparar uma novinha em folha, a ser feita com esmero pelo nobre doutor. Não via a hora de estar com as duas partes, pois a dificuldade de falar só com a de baixo era gigantesca. Além de murchar a boca, ficar com uma expressão bem ruim. Mas esses tormentos estavam por acabar.<br />
- Vamos lá, Leonardo. Por favor, abra a boca que vou colocar a massa para tirar o molde.<br />
Enquanto seu Leonardo mantinha a boca aberta, olhando vagamente para o teto, verificando algumas teias de aranha nos cantos e uma bela roda de umidade bem em cima de sua cabeça, o Dr. Joaquim manipulava a massa, quase pronta.<br />
Ele já conhecia toda a história da vida do seu paciente, quase sempre fazia as mesmas perguntas. Principalmente agora, com o problema, ficara mais esquecido.<br />
- E então, Leonardo. Quando casa de novo?<br />
Com uma gargalhada, seu Leonardo foi obrigado a fechar a boca e responder novamente que ainda estava casado. Não ficara viúvo ainda, como tinha informado na última consulta.<br />
- Ah, mas é verdade? então estou confundindo as histórias. Creio que é o Alfredo que enviuvou faz alguns meses. Ou alguns anos. Preciso confirmar com ele. Pobre moço.<br />
Com a massa num pequeno pote, pediu ao paciente que abrisse bem a boca, que agora não poderia fechar até que secasse o material.<br />
Seu Leonardo escancarou sua grande boca e o doutor inseriu a massa, modelando com cuidado, toda a região onde iria instalar a prótese.<br />
- Pronto Leonardo. Tenha paciência, que vamos fazer esse molde direitinho, está bem?<br />
Seu Leonardo levantou o braço direito e fez um sinal de ok.<br />
- Mas então, rapaz! estava lembrando da sua filha. Ela estava bem casada, com filhos já. Por que razão foi se divorciar? até agora não acredito. Eles se davam tão bem, parecia um casal feliz, estabilizado. O que houve realmente com eles?<br />
- Arllamma maszgaddava a bablamaa da maradazz gaalagadata !!! &#8211; tentou o paciente explicar com muitos gestos para os lados, colocou a mão na cabeça, virou os olhos.<br />
- Não entendi patavina, Leonardo. Ela não gostava mais dele, é isso?<br />
- Na ra aça gahhh asssgacala arrrarrraga !! e mais gestos, nervosos agora. Do olho direito corriam algumas lágrimas. Não de tristeza, mas do esforço.<br />
Enquanto o Dr. Joaquim mantinha três dedos de cada mão, dentro de sua boca, pedia que não movimentasse tanto, pois afrouxaria o molde.<br />
O doutor verificou o molde, colocando um olho bem próximo à boca. Fez-se uns dois minutos de silêncio, quebrado apenas pelo seu rádio a válvula, um Telefunken, que tocava uma música em boa altura, já que seu ouvido também não era mais o mesmo.<br />
- Está quase seca, Leonardo.<br />
Outro gesto de ok, com a mão um tanto trêmula.<br />
Com o desejo de se expressar com a boca entravada daquele jeito, a salivação foi grande e o Dr.Joaquim teve que abandonar uma das mãos para ligar o sugador, colocando-o pendurado do lado esquerdo da boca.<br />
- Está tudo bem agora?<br />
Tentando engolir a saliva excedente, fez um gesto de &#8220;mais ou menos&#8221;.<br />
Dr. Joaquim respirou fundo, olhou para o relógio cuco da parede. Mais alguns minutos e a massa estaria pronta para ser retirada.<br />
- Não é você que trocou de carro esse ano? parece que te vi com um zerinho, vermelho.<br />
Com o dedo indicador fez um sinal de negação.<br />
- Você não estava com aquele Ford azul que tinha comprado do Manezinho da padaria?<br />
- aaa vãnnn ga gunngã uuuuurrrlallagal lá? !!! &#8211; e o sr. Leonardo começou a suar na testa, além das lágrimas que agora corriam dos dois olhos. Não do esforço, mas de raiva.<br />
Com um paninho branco, o doutor enxugou a testa de seu paciente.<br />
- Está calor aqui? eu não estou sentindo. Você está?<br />
- gããnn ! com um gesto nervoso de negativo.<br />
O doutor agora retira suas duas mãos de dentro da boca e vai fechar a torneira da pia que estava aberta. Lá estava o seu Leonardo com a boca aberta, uma placa de massa enorme em sua boca, os olhos acompanhando cada movimento de seu amigo dentista.<br />
De lá da pia, continuava o doutor:<br />
- Esta torneira está com um problema sério. Quando vai fechar ela escapa, e volta a abrir de novo. Vou ter que trocá-la urgente. Você conhece algum encanador competente?<br />
Num suspiro, seu Leonardo fez que não, com a cabeça.<br />
- Não era o seu João aqui da esquina que fazia uns bicos de encanador ? se não me engano era ele sim.<br />
Seu Leonardo deu com os ombros, informando não sabia de nada.<br />
- E o seu escritório está indo bem? as coisas estão meio paradas aqui na cidade.<br />
O paciente colocou a mão direita fechada dentro da boca para não movimentá-la, pondo tudo a perder e falou mais umas tantas palavras ininteligíveis como as anteriores. Só que agora, desencostara as costas da cadeira, fazendo uma expressão que indicava um certo desespero com aquela situação. Reencostou-se novamente.<br />
O doutor aproximou-se, pediu a ele que tirasse a mão da boca e olhou o molde.<br />
- Mas você apertou tudo aí, Leonardo. Alargou toda a fôrma. Retirou delicadamente e com um certo ar apreensivo e reprovador, examinou a peça e concluiu:<br />
- Vamos ter que fazer outra! mas você parece um menino! Olhe aqui, apontando para a peça toda deformada.<br />
Seu Leonardo, suando pelas axilas, os olhos avermelhados levantou-se da cadeira, soltou o pano enfiado em sua gola, servindo de babador, colocou o sugador na cadeira.<br />
Olhou seriamente para o doutor atônito.<br />
- Volto amanhã, Joaquim. Volto amanhã. Lembrei-me de um compromisso e já estou bem atrasado&#8221; &#8211; dirigindo-se à porta de saída a passos largos. Saiu e largou a porta aberta.O doutor, ainda estático, com o molde na mão e o babador na outra ainda pensava, resmungando para si mesmo:<br />
&#8221; Tenho a impressão que o Leonardo está precisando se tratar e não é comigo&#8221;. &#8211; abrindo a tampa do lixo, jogando a peça fora.</span><span style="color:navy;font-family:Tahoma;"></span></td>
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